Dependência de álcool e depressão maior são os diagnósticos psiquiátricos mais comuns entre pessoas que cometem suicídio. Um estudo realizado com 100 participantes mostrou que 85% dos que se suicidaram apresentavam alcoolismo, depressão ou ambos. A associação entre distúrbios de humor e dependência de álcool e outras substâncias é comum entre pessoas que se suicidam.

Pesquisas têm demonstrado que pessoas dependentes de álcool, com história de tentativas de suicídio, apresentam quadros mais severos de comprometimento social e de saúde do que alcoolistas sem história de tentativas de suicídio. Por exemplo, um grande estudo envolvendo 3190 indivíduos demonstrou que tentativas de suicídio estavam associadas à maior gravidade de dependência de álcool, maiores taxas de comorbidades psiquiátricas e distúrbios decorrentes do consumo de outras substâncias psicoativas, desemprego, separação ou divórcio e menor escolaridade.

O artigo teve como objetivo revisar os procedimentos utilizados para identificar, avaliar e tratar pessoas com diagnóstico de abuso ou dependência de álcool que apresentaram tentativas ou idéias de suicídio. Segundo os autores, estes procedimentos podem ser divididos em hospitalização, estabilização do quadro agudo, uso de medicações específicas para o alcoolismo e depressão, alta, envolvimento familiar e psicoterapia.

Os autores concluíram que poucos estudos foram conduzidos com o objetivo de esclarecer os mecanismos envolvidos nos resultados dos tratamentos para os pacientes alcoolistas com risco de suicídio. As razões para esta falta não são completamente claras.

Os fatores que contribuem para este quadro são os esforços clínicos intensivos requeridos para tratar este grupo de pacientes, limites éticos e dificuldades metodológicas em desenhar pesquisas para esta população. No entanto, em virtude da grande quantidade de indivíduos dependentes de álcool, das frequentes tentativas de suicídio nesta população e dos efeitos devastadores sobre estes indivíduos, famílias e sociedade, este tópico requer a atenção dos médicos e pesquisadores.

Fonte: http://www.cisa.org.br/