Cresce o número de casos de ansiedade, depressão e insônia em todas as idades e as emergências contra intoxicação por álcool e remédios

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Os transtornos mentais podem atingir até 40% da população em algum momento da vida, sendo os mais comuns os transtornos do humor (depressão e transtorno bipolar) e ansiosos, seguidos pelo uso abusivo de substâncias lícitas (álcool, remédios e tabaco) e ilícitas (maconha, cocaína, MMDA, entre outras). O uso de antidepressivos e de remédios para ansiedade já vinha aumentando consideravelmente desde a década de 80, mesmo antes da pandemia do coronavírus.

 

Há indícios claros de que os transtornos mentais estão aumentando, em razão do medo da doença e das incertezas em relação a emprego e renda. Especificamente, o uso abusivo de substâncias lícitas e ilícitas atinge cerca de 15% da população mundial, sendo mais comum na população mais jovem. Já a depressão, a ansiedade e os transtornos do sono ocorrem em todas as idades. Trata-se, portanto, de um problema de saúde impactante e desafiador agravado pela pandemia. “O impacto da pandemia que chegou ao Brasil em 2020 ocorre por muitos fatores e todos eles elevam o nível de estresse”, afirma o médico psiquiatra Marcelo Piquet, diretor técnico da Clínica Espaço Village.

Segundo Piquet, a diminuição do contato social, com amigos, pais, filhos e netos, a perda de parentes próximos, o medo de perder pessoas queridas, o medo de se contaminar ou contaminar alguém, a perda do emprego, queda na renda familiar, a impossibilidade de frequentar hospitais rotineiramente, a diminuição da exposição ao sol, impossibilidade de viajar, diminuição da capacidade de fazer exercícios físicos e atividades de lazer, impossibilidade de frequentar atividades religiosas estão entre estes fatores, que tornaram a população mais vulnerável. “Asma, diabetes e hipertensão arterial, assim como outros problemas de saúde pioram com o aumento do estresse. E o mesmo princípio se aplica aos transtornos mentais”, completa Piquet.

ÁLCOOL: AUMENTO DA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

É possível afirmar que todos fomos afetados nesta pandemia. Alguns indivíduos aumentaram a atividade esportiva, começaram cursos, criaram hábitos e novos desafios. Já os indivíduos mais sensíveis que recorreram ao uso de substâncias para lidar com o estresse estão extremamente vulneráveis a se tornarem dependentes. Em 2020 pôde ser observado um aumento da procura por profissionais de saúde mental e admissão aumentada nas emergências brasileiras de intoxicação por álcool e remédios, que podem levar à dependência química. Os estudos sobre depressão, ansiedade e insônia apontam aumento de casos em todas as faixas etárias. Os conflitos familiares aumentaram, assim como a violência doméstica, já que a convivência forçada durante os períodos mais intensos de lockdown obrigou muitos indivíduos a consumir álcool em casa. “Quando isso ocorre, é indispensável a procura de ajuda de especialistas. A procura de tratamento não é motivo de vergonha ou falha moral, a dependência química é uma doença e deve ser tratada por profissionais”, Explica o Dr. Piquet.

DEPENDÊNCIA QUÍMICA: QUANDO DEVEMOS PROCURAR AJUDA?

As dependências químicas são transtornos crônicos que causam perda de controle e se caracterizam pelo uso abusivo de substâncias. O abuso pode se dar com substâncias lícitas ou ilícitas, (álcool, remédios, calmantes, cocaína e outras) e podem causar ou piorar transtornos mentais, como depressão, ansiedade e doença bipolar, entre outros. “Entre as condições necessárias para o tratamento está o afastamento provisório do modelo de convívio social anterior, que é um dos aspectos que mais gera resistência”, explica a Ana Café, especialista em dependência química e diretora da Clínica Village. “Já para os dependentes que estão em recuperação está sendo menos complicado lidar com o isolamento social provocado pela pandemia”, completa.

A característica principal da dependência é a mudança no padrão do comportamento, como aumento de gastos, queda no rendimento escolar, “sumiços”, “desculpas” como explicações, comportamento manipulador, descuido com a aparência, com a vida financeira, entre outros. “Tanto a família quanto o dependente têm dificuldades em reconhecer a dependência. Um profissional capacitado vai inicialmente promover psicoeducação para o problema. Mas a admissão do problema leva tempo”, explica a psicóloga.

O consumo cada vez maior, tempo cada vez maior gasto com o uso e a recuperação dos efeitos das substâncias, o descontrole financeiro, a fissura, o abandono da rotina, dos amigos, da família, do trabalho e do lazer e a exposição à situações de risco, são características da progressão do transtorno. “Os dependentes químicos que não estão incluídos no programa de recuperação acabam não só se prejudicando pelo agravamento da dependência, como se tornam perigosos para seus familiares por circularem pelas ruas sem proteção”, acrescenta Ana.

TODOS QUE ESTÃO AO REDOR PASSAM A SOFRER COM A DOENÇA

Diversos estudos demonstraram que os familiares e amigos que convivem com um dependente químico têm mais episódios de depressão e ansiedade. Também existe a acomodação familiar, que ocorre quando a família “valida” a disfuncionalidade do dependente, por exemplo, fornecendo recursos financeiros, mesmo sabendo que estão sendo gastos com o consumo de substâncias, ou fornece um automóvel, mesmo sabendo que o indivíduo não controla o uso de álcool.

Boa parte dos casos requer tratamento especializado. O tratamento vai ser ambulatorial ou hospitalar, dependendo da gravidade. “A maioria acha que pode controlar o uso de substâncias, uma crença que não tem respaldo científico. Além disso, o dependente desenvolve maus hábitos de alimentação, de higiene e padrões caóticos de comportamento que são corrigidos durante o tratamento”, diz Ana Café.

O PAPEL DA FAMÍLIA E DA AJUDA ESPECIALIZADA

Sem a participação da família a taxa de sucesso diminui bastante. Os bons centros de tratamento, como o Espaço Village, têm unidades próprias para o atendimento ao familiar. O papel da família é fundamental para a recuperação da pessoa. Entender o processo e dar o apoio e limites necessários podem fazer a diferença para o sucesso do tratamento. No período de abstinência, podem ocorrer perturbações e alterações comportamentais que necessitam de apoio psicológico e médico. “Essa é uma etapa que tem a duração média de 30 dias e o médico é fundamental nesta fase, é ele quem vai administrar os medicamentos com o objetivo de permitir que o paciente supere esta fase”, explica Marcelo Piquet.

FORMAS DE TRATAMENTO DA DEPENDÊNCIA QUÍMICA

As terapias especializadas, como a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e a Entrevista Motivacional têm reconhecimento científico, além dos grupos de mútua ajuda como Alcoólicos Anônimos. Outras formas de terapia são ineficazes. O tratamento é multidisciplinar e envolve toda a equipe da Clínica, sendo a abordagem farmacológica prerrogativa do profissional médico. Sempre que houver situações de perda de controle e exposição a risco de vida o paciente deve procurar os profissionais especializados e a internação se faz necessária. A legislação brasileira permite a internação involuntária para qualquer idade. Sempre há necessidade de avaliação médica prévia, além de concordância dos familiares. A internação, seja ela voluntária ou involuntária, tem resultados similares, desde que se observe o tempo adequado de internação, que não é inferior a três meses. “A internação voluntária acontece quando o dependente químico percebe que precisa de ajuda e aceita o tratamento. Já a involuntária ocorre quando a família toma a decisão pelo paciente, para que ele possa se submeter ao tratamento”, finaliza Ana Café.

SOBRE A CLÍNICA ESPAÇO VILLAGE:

O Espaço Village é uma clínica de tratamento intensivo com internação voluntária e involuntária em saúde mental para os transtornos de comportamento por uso de substâncias (pacientes dependentes químicos) e para pacientes com patologias psiquiátricas. A orientação à família é permanente para que o processo de tratamento tenha um desfecho positivo.

Localizada no KM 112 da estrada Rio-Teresópolis a Clínica Espaço Village fica no município de Guapimirim, a 65km do Rio de Janeiro. A área total tem 5000 metros quadrados de área verde em um ambiente silencioso e tranquilo, propício para o relaxamento e a reflexão.

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